terça-feira, 1 de julho de 2014

Oceano Submerso? Sim… E é água mineral.

        Um estudo realizado à partir de uma amostra de olivina, um mineral formado por silicatos de ferro e magnésio, tem formula molecular (Mg;Fe2+)2SiO4 e estrutura cristalina diferenciada de acordo com a profundidade, pressão e temperatura em que se encontra. A Ringwoodita, é uma das formas alotrópicas deste mineral olivino e, uma amostra de Ringwoodita foi encontrada em um diamante trazido do manto terrestre à superfície por uma erupção vulcânica. Neste mineral ocorreu a fusão de outros compostos e um dos compostos fundidos no seu interior é a água. Não. Você não entendeu errado: Encontraram um diamante, no interior do diamante encontraram a Ringwoodita e, na composição da Ringwoodita, encontraram água.

      Bom, ao contrário do que você deve estar imaginando agora, a Terra não tem um oceano no seu interior, não literalmente pelo menos. Tem água em grandes proporções sim. Estima-se, três vezes mais água do que há na superfície da Terra, porém, de forma adsorvida nos minerais ou absorvida pelo solo do manto terrestre. Ou seja, não é esta água que vai sanar a sede do mundo, mas as implicações científicas são grandes.

        A importância científica desta descoberta é enorme pois ela é uma confirmação à mais para a teoria de que a água presente na Terra veio do espaço adsorvida em meteoros, asteroides e outros corpos celestes (conforme consta em pesquisa recente da UNESP em conjunto com a NASA (Link)). A questão é que até este diamante ser encontrado, só haviam pesquisas com cristais de ringwoodita encontrados na superfície ou em baixa profundidade provenientes de meteoros que caíram na Terra recentemente.

     De um modo geral, me chama a atenção o fato de o diamante estudado ter sido encontrado uma mina em Juína, no interior do Mato Grosso, e não haver nenhum pesquisador brasileiro ou instituto de pesquisa nacional envolvido nesta pesquisa. Além disto, o quanto deixa à desejar o jornalismo científico no Brasil, tem até site que diz que o apelido da ‘reserva de água' é Ringwoodite.



Para saber mais:


The guardian - Earth may have undergroud ocean three times that on surface.
http://www.theguardian.com/science/2014/jun/13/earth-may-have-underground-ocean-three-times-that-on-surface

Estudo Original - Science - Dehydration melting at the top of the lower mantle.
http://www.sciencemag.org/content/344/6189/1265

Scientific American Brasil - Diamante raro confirma existencia de oceano no manto terrestre.
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/diamante_raro_confirma_existencia_de_oceano_no_manto_terrestre.html

Público! - Pode ter sido descoberto o maior reservatório de água do mundo.
http://www.publico.pt/ciencia/noticia/o-maior-reservatorio-de-agua-do-mundo-pode-ter-sido-descoberto-1639814

Jacobsen Science Paper - Dehydration melting at the top of the lower mantle.
https://gsecars.uchicago.edu/sites/gsecars.uchicago.edu/files/uploads/Jacobsen_SciencePaper.pdf

University of South Florida - College of Arts and Science - Making Magma.
http://chuma.cas.usf.edu/~juster/S5/magma.htm

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Quase zero o quê?

      Crio este blog com a intenção de escrever sobre assuntos diversos; ciência, religião, atualidades, tudo isso junto ou ainda, nada disto. Não me iludo à ponto de pensar que me sairei bem ao discutir todos estes temas mas, pretendo instruir-me  cada vez mais, à medida que procuro 'passar à diante' algum conhecimento. Antes de tudo, vejo a necessidade de esclarecer a escolha do nome do blog.
      
      Este 'numero', quase zero, é uma aproximação da população média do universo, melhor dizendo; a densidade demográfica universal. A explicação é dada por uma citação de um livro de Douglas Adams:
      
    • "Sabe-se que há um número infinito de mundos, simplesmente porque há uma quantidade de espaço infinita para que estejam dentro. Entretanto, muitos deles não são habitados. Conseqüentemente, deve haver um número finito de mundos habitados. Todo número finito dividido pela infinidade é tão próximo a nada; como não existe probabilidade de criação, assim, a população média de todos os planetas no universo pode ser dita como zero. Disto segue que a população do universo é também zero, e que alguns povos que você puder encontrar de tempos em tempos são meramente o produto da sua imaginação."

      Claramente percebemos, que falta alguma lógica nesta citação. Isto por que ela é uma falácia, conhecida como Reductio ad absurdum onde, um resultado contraditório surge de uma premissa falsa. O que me faz lembrar que, muito provavelmente, falácias entrarão em discussão em outras postagens neste blog. No entanto, não quer dizer que haverá algum humor nestas postagens pois, ao contrário desta citação, muitas falácias são usadas de má fé -ou ignorância- para convencer o ouvinte à concordar com uma premissa que não é verdadeira. Por esta e outras admiro tanto Douglas Adams, ele 'mostra' temas importantes de forma humorada em todos seus livros, instigando o leitor à refletir sobre temas alheios ao próprio enredo de seu livro e, por isto, a homenagem no nome do blog. 

      Encerro aqui a primeira postagem, espero que seja a primeira de muitas e que vocês gostem. 



ADAMS, Douglas - O Restaurante no fim do universo - Rio de Janeiro: Sextante, 2010